Este tem sido um ano de redescoberta da escrita, o que veio a calhar, considerando o peso de 2019 e os muitos momentos complicados vividos por mim nesses 300 dias. Em março, eu voltei a documentar a vida nos meus journals, um hábito que carrego comigo há quase cinco anos, mas que andava adormecido. Foi um reencontro lindo e necessário, a melhor maneira de enfrentar todos os dissabores. Mas ainda existia, dentro de mim, o desejo de me colocar no mundo e encontrar o outro em um lugar como este aqui: destinado a quem quiser chegar. Isso envolve uma boa dose de vulnerabilidade e eu tive medo, por isso demorei tanto pra decidir se deveria voltar a ter um espaço só meu, que me trouxesse a liberdade de escrever sobre o que der na telha. Me escondi por muito tempo nos meus cadernos, tão meus, tão seguros e acolhedores, tão importantes pra mim; porém, ao mesmo tempo, um tantinho solitários.
A vontade de escrever para publicar foi crescendo aqui dentro e passou a gritar de verdade quando li a tetralogia napolitana, da Elena Ferrante (escrevi este texto sobre minha experiência de leitura). Livros bem escritos tendem a me dar um novo gás, uma inspiração diferente, aquela sensação de "olha o efeito que isso te causou, você pode até não escrever assim, mas se tem algo a dizer, não se cale". Quase em seguida, eu mergulhei em um livro chamado Como se encontrar na escrita, da Ana Holanda, que nos apresenta a escrita afetuosa, aquela recheada de afetos, reflexo da alma de quem escreve. Como sempre tentei escrever dessa forma, ler o livro foi um bálsamo e mais um incentivo: era hora de começar.
Confesso que este espaço está pronto há um tempinho, mas só agora tomei coragem de colocar as mãos na massa e inaugurar. O que fez com que eu adiasse esse momento foi, de novo, o medo. Medo de não ser boa o bastante, de não produzir, de ninguém se interessar. Medo de fracassar. É difícil se expor em uma internet cada vez mais tóxica, ainda mais quando a gente não consegue escrever sem se revelar, e acaba se colocando diante do olhar inquiridor dos outros - não de quem também escreve e entende, ou de quem lê e abraça, mas de quem cai de paraquedas e se apressa em julgar.
Mas não dá pra viver apenas alimentando os nosso medos. O importante é ter consciência deles e seguir em frente mesmo assim. Eu escolhi não deixar todas essas inseguranças me abalarem e simplesmente escrever. Simplesmente assumir a vontade de ter um canto na internet que reúna um pouco de quem sou e tudo o que desejo dividir com o mundo. Colocar meu coração na ponta dos dedos, que agora tocam o teclado, da mesma maneira que deixo a caneta dançar, desajeitada, nas páginas dos meus diários. Estou muito feliz por finalmente me permitir estar aqui e adoraria te encontrar do outro lado. A gente se vê?
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Taryne Zottino é bacharela em Letras & jornalista, l